A Psicologia Analítica proposta por Carl Gustav Jung, considera a psique em dois níveis – o consciente e o inconsciente. O eu consciente é apenas um aspecto da psique na medida em que há regiões externas à consciência do eu. Essas áreas externas à consciência são reunidas sob a denominação de inconsciente.
“A consciência é como uma superfície ou película cobrindo a vasta área inconsciente. A área do inconsciente é imensa e sempre contínua, enquanto a área da consciência é um campo restrito da visão momentânea” (Jung, C.G; 1989).

Os principais processos psíquicos são essencialmente de natureza inconsciente (desconhecido) e torná-los conscientes é um importante aspecto terapêutico.
Jung trabalha com a noção de camadas do inconsciente: “Tornou-se clara a distinção, no inconsciente, de uma camada que poderíamos chamar de inconsciente pessoal porque se caracterizam, em parte, por aquisições derivadas da vida individual. Os conteúdos inconscientes são de natureza pessoal quando podemos reconhecer em nosso passado seus efeitos, sua manifestação parcial, ou ainda sua origem específica” (Jung, C.G; 1990).
O inconsciente, no entanto, não se limita às experiências pessoais. Jung aprofunda e amplia o conceito de inconsciente ao se deparar com conteúdos inconscientes que não se originaram de conteúdos pessoais fazendo uma importante distinção entre inconsciente pessoal e inconsciente coletivo:

“Devemos afirmar que o inconsciente contém, não só componentes de ordem pessoal, mas também impessoal, coletiva, sob a forma de categorias herdadas ou arquétipos… o inconsciente em seus níveis mais profundos possui conteúdos coletivos em estado relativamente ativos” (Jung, C.G; 1990).
Nesta concepção o inconsciente contém não somente tudo aquilo que foi esquecido ou reprimido, mas também possibilidades e potencialidades a serem desenvolvidas pela consciência.
A observação dos sonhos é parte significativa do processo terapêutico, pois esse material simbólico proporciona pistas de acesso aos conteúdos inconscientesque delimitam fortemente nossas experiências. Não apenas os sonhos, mas muitas outras imagens e sintomas devem ser atribuídos aos conteúdos e atividades existentes fora do campo da consciência.
“O inconsciente gera símbolos compensatórios. Os símbolos gerados pelo inconsciente têm que ser ‘entendidos’ pela consciência, isto é, têm que ser integrados e assimilados para se tornarem eficazes. Um sonho não compreendido não passa de um simples episódio, mas a sua compreensão faz dele uma vivência” (Jung, C.G; 1990).
